Sábado, 12 de Outubro de 2013

Em minha casa tenho três pias de mármore e uma de louça, mas já morei, na Bahia, em uma meia água com uma minúscula pia e me vendo num espelho pequeno pendurado de um prego. E foi uma época muito feliz de minha vida com a esposa e filha. Aquela penúria teria sido perfeita não fosse uma crise espiritual que eu atravessava. Digo isso porque fiquei refletindo nessa passagem do livro que eu estou lendo (p. 191):

“ – Hercule afirma que com a ajuda de mais alguns amigos poderia abater nos próximos meses muitos pinheiros e fazer tábuas que renderiam algumas centenas de dólares.

- Para que nos metermos no negócio de madeira?

- Para quê? – tive vontade de dizer: para se arranjar algum dinheiro para tornar a igreja mais decente, pois está em condições miseráveis, e para se ter pão na despensa e carne na mesa! Mas a serenidqade abnegada que via nos olhos do padre Ned me amainou o entusiasmo.

- Obrigado pela sugestão, padre.

E nada mais disse. A maneira gentil com que aquele ponto final foi colocado no assunto me comunicou uma verdade espiritual mais profunda do que conseguiria aprender com São Francisco de Assis. Percebi que o pároco possuía uma confiança serena e autêntica em bens que ladrões não podem levar nem a ferrugem corromper. Era um homem que se recusava corajosamente a sobrecarregar sua alma com tesouros perecíveis”.

Mais adiante, nessa história, vi que as coisas foram se arrumando devagar, não no tempo que o jovem padre queria, mais no tempo sem pressa  e sem a competição mundana que é o de Deus.



publicado por joseadal às 13:26

Olhe em volta de si esse modo maravilhoso de viver da sociedade moderna. Tanta fartura, produtos novos surgindo a cada instante, uma montanha de informação e distrações para todos os gostos. Fabuloso! Mas não para mim e talvez também não para você. Tem um perigo aí. Estava lendo a exposição do filósofo Heidegger sobre esses tempos espetaculares. Ele diz que o perigo é sermos incluídos neste torvelinho que não nos deixa pensar e refletir e quer tornar a todos iguais, sim, felizes moradores desse mundo consumista:

“Em sua preocupação com a mediania, esse sistema opõe-se a toda exceção e originalidade, a gente, eu. E exerce uma regulação niveladora, nos obriga a viver como um ser-público, com uma identidade cotidiana que se mantém independentemente da cultura e do momento histórico.”

O mundo dos shoppings cheios de gente e da mídia que martela nossas cabeças com a ordem de compre, compre, tem por objetivo nos manter numa manada.

“A palavra solicitude realça a permanente diferença insuprimível de um (eu ou você) em relação aos outros. Esta é uma distância que vai aumentando quanto mais se empenham em eliminá-la. Por força desse empenho os outros nos englobam subtraindo-nos a nós mesmos. O poder-ser próprio de cada pessoa se transfere aos outros. Esse todos, torna-se uma potência estranha e anônima que nos domina, e nos coloca sob o senhorio dos outros. Esse senhorio dos outros é justamente uma forma de alienação”.

Não pense que está todo mundo certo e só você - que vê a tolice dessa vida onde se corre igual a um hamestr sem podermos parar para pensar - está errado: quem sou, como vim parar aqui e para onde vou depois da morte. Como disse o filósofo: “o ser-si-mesmo é um poder pessoal que se conquista vencendo o domínio do ser-em-comum”.



publicado por joseadal às 01:55
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