Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

“Olha a bicicleta! É um perigo! Todo ciclista é assassino e suicida”. Não é uma opinião minha, é de Álvaro, um Senhor de 84 anos, personagem do livro FIM, de Fernanda Torres, a atriz. Ele fala de sua velhice num tom bem engraçado (p.20): “Nunca fui muito ativo. Bebia demais, trocava o dia pela noite, engordei, criei uma barriga sustentada por duas pernas finas e um pescoço curto que equilibra uma careca lustrosa”. Descrição terrível de si mesmo. Sim, porque os coroas meus amigos, Dunga e João Bosco, com certeza ainda se veem como homens de trinta e poucos anos. Porém, ele vai mais longe: “Tive a sorte de envelhecer fumando. Sou assim, mesmo. Não separo lixo, tomo banhos quentes e escovo os dentes com a torneira aberta. Dane-se a humanidade. Não vou estar por aqui para assistir o futuro dessa droga”.

- Gente, que velho mais escroto, Zé!

Ele toma um certo cuidado, não cair – e pior que morreu de um tombo. “A queda é a maior ameaça para o idoso. Que palavra mais odienta. Pior, só ‘terceira idade'. O tombo destrói a linha que liga a cabeça aos pés”.

(sou velho mas fui lá em cima, mas tomo muito cuidado nas descidas)

Também não dispensa o médico, mas com ressalvas: “Tudo me dói. Me consulto com uns dez especialistas. Um quer operar a catarata, o outro a vesícula, e o cardiologista diz que minhas veias já não seguram mais a pressão do sangue, planeja me encher de stendes. Fico quieto, deixo eles falarem, finjo que não é comigo. São uns neuróticos vaidosos”. Nisso eu penso igual a ele.

Mas então entra no ponto nevrálgico: “Comecei a ficar brocha com a minha mulher. Com a amante ainda conseguia, mas depois foi definitivo. Sofri uns bons anos, até que relaxei. Adeus hormônios, adeus garotas. Só me resta virar franciscano”.

Ah, o Álvaro! O cara tem mil ideias, essa, porém me balançou: “Toda amizade masculina carrega um quê de veadagem”. Epa, acabou nossa amizade, mano.  


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publicado por joseadal às 21:50

Todo mundo se queixa da violência no mundo, mas lendo a história se vê que o homem tem evoluído um bocado. O livro Os Ciganos do Brasil fala de como eram tratados os gypses lá pelo século XVI (p.36):

“Em 1525 o rei Carlos V renovou a lei: ‘Se um indivíduo desse povo for encontrado vagando deve ser preso, sendo a terceira vez que seja interceptado ficará escravos de quem o prender, por toda a vida’. Em 1539 a lei foi modificada: ‘Quem for encontrado errante será condenado as galés por seis anos’. Em 1619, Felipe III ordenou que eles deveriam estabelecer-se em cidades, não podendo, porém, usar os trajes e o linguajar deles: ‘Este decreto foi a origem das gitanerias, bairros separados como já acontecia com os judeus’”.

E quem eram os gitanos? “São corredores de cavalos [jóqueis], ferreiros [colocavam ferraduras], caldeireiros [consertavam panelas], saltimbancos [artistas de rua], bailarinos tocavam guitarras; suas mulheres leem a sorte. Mas são malandros e se puderem furtam e nos negócios enganam”.

Eram boêmios, viviam de cantar e dançar e isso sempre incomodava os cidadãos respeitáveis. Então, naqueles tempos, era ‘pau neles’. Os tempos mudaram mesmos.



publicado por joseadal às 00:56
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