Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

Há tanto o que dizer sobre o amor!

Antigamente saia todos os dias nos jornais um quadrinho nomeado: Amar é... Não há fim para se descrever esta força. Mas no livro Mil Platôs dois filósofos franceses dizem algo muito esquisito sobre o amor.

“O que quer dizer amar alguém? É sempre apreendê-lo numa massa, extraí-lo de um grupo, mesmo restrito, do qual ele participa, mesmo que por sua família ou por outra coisa; e depois buscar suas próprias matilhas, as multiplicidades que ele encerra e que são talvez de uma natureza completamente diversa. Ligá-las às minhas, fazê-las penetrar nas minhas e penetrar as suas. Núpcias celestes, multiplicidades de multiplicidades. Não existe amor que não seja um exercício de despersonalização sobre um corpo sem órgãos a ser formado; e é no ponto mais elevado desta despersonalização que alguém pode ser nomeado, recebe seu nome ou seu prenome, adquire a discernibilidade mais intensa na apreensão instantânea dos múltiplos que lhe pertencem e aos quais ele pertence”.

Não é incrível esta maneira de descrever o antigo pensamento oriental que foi incorporado a Bíblia (Gênesis 2:24) : ‘Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne’? Viver juntos é “buscar as próprias matilhas dela, as multiplicidades que ela encerra” ou ela nas multiplicidades dele. Não é uma tarefa fácil, demanda tempo e paciência. A força que move essa assimilação é essa: “Não existe amor que não seja um exercício de despersonalização sobre um corpo sem órgãos a ser formado”. Esse corpo informe que vai ser formado é “serão ambos uma carne”. Ou é a “apreensão dos múltiplos que me pertencem e aos quais ela pertence”, ou vice-versa.

(foto tirada no alto da serra de Itatiaia)

Esse trecho agora é mais complicado. Como o consciente e inconsciente dos dois edificam este novo ser que é eles juntos: “Não basta então atribuir ao consciente as multiplicidades, reservando para o inconsciente outro gênero de multiplicidades, porque o que pertence de todo modo ao inconsciente é o agenciamento dos dois, a maneira pela qual as primeiras condicionam as segundas e pela qual as segundas preparam as primeiras: a libido tudo engloba”. O consciente dos dois vai apreendendo os caprichos, as simpatias e antipatias e os hábitos, mas é o inconsciente com seus arquivos antiquíssimos que faz “o agenciamento dos dois”. Então, amar outra pessoa e viver com ela é “estar atento a tudo ao mesmo tempo, à maneira pela qual um indivíduo tal ou qual, tomado numa massa, tem ele mesmo um inconsciente de matilha que não se assemelha necessariamente à matilha da qual faz (fazia?) parte; à maneira pela qual um indivíduo vai viver em seu inconsciente as matilhas de um outro indivíduo. É como conhecer a multiplicidade de sardas sobre um rosto”.


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publicado por joseadal às 13:31
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