Domingo, 11 de Maio de 2014

“kuda kuda vy udalilis”, ária da ópera Eugen Onegin, de Tchaikovsk.  

https://www.youtube.com/watch?v=4mJyjq8JNAI

“Aonde, aonde foram os dias da minha juventude?” Essa reflexão é pertinente a pessoa que já vai em idade avançada. Mas nem sempre. Uma vez, mexendo em velhos documentos encontrei minha inscrição para o serviço militar e me vi olhando para minha juventude. Encarando o inteligente José que se preparava para fazer Medicina. Mais do que pelo belo topete dei um soluço de saudade. Não sou aquele jovem, meu Deus para onde foi José? Era tão cheio de sonhos, inocência e destemor. Que estranho ser é o homem, o humano que vive várias vidas em uma só. Quem, entre as pessoas que fomos, o criador que acompanha toda nossa existência irá escolher como seu preferido? Um dia desses, Lili, escolheu como muito próprio para curtir Elvis Presley. Vez por outra chegava perto dela para vê-lo interpretar uma canção das que gosto mais. E vi diversos Elvis. De fantasia branca, corpo bem feito e voz que emitia roucos inimitáveis em certas notas, cantando Suspicious Minds; o garotão se requebrando em roques ligeiros, como Hound Dog; o envelhecido gordo de movimentos lerdos produzidos pelas drogas, cantando Always On My Mind; e o jovem militar que encantava os soldados na Alemanha cantando suas baladas, como Love me Tender. Eu, mau juiz e sem qualificação para julgar quem quer que seja, prefiro Elvis, o que tinha se tornado pai recentemente. É esse aí:

http://www.youtube.com/watch?v=Wb0Jmy-JYbA.

Viu a exibição dele? Isso é que se chama pós-modernidade.

- Zé, lá vem você com filosofia.

No trabalho de mestrado do professor José Dimas Monteiro, encontrei essa “explicação” (p. 6): “Segundo Linda Hutcheon, a distância que separa o passado do pós-modernismo é assinalada pela ironia. Este ambiente do pós-modernismo é incrementado por uma forte peculiaridade, a paródia. Embora muitos críticos do pós-modernismo denunciem a ironia como anti-seriedade, Hutcheon acredita que talvez ‘...a ironia seja a única forma de podermos ser sérios nos dias de hoje.

As interrogações e as contradições daquilo que quero chamar de pós-moderno começam com o relacionamento entre a arte do presente e a arte do passado, e entre a cultura do presente e a história do passado." Elvis cantava seriamente, com perfeição, mas ao mesmo tempo nos brindava com sua voz de um modo debochado e irônico. Não é mesmo assim, o mundo em que vivemos?

- Zé, e a tal “aonde foi parar minha juventude”, de que você falava?

Sim, fico pensando: Qual dos vários José em um homem só, os que fui e o que sou, Aquele que governa tudo, tendo a seu lado e, ao mesmo tempo, dentro de Si, Jesus, Ele tem preferência. Numa séria conta de débito e crédito como anda o caixa de José? É, acho que a gente tem de dar graças por estar sempre mudando.       



publicado por joseadal às 14:46
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